consciência tranquila

Nos idos de 1998, baldei-me ao referendo do aborto para ir ter com uns amigos à Expo’98. Eram favas contadas, o país era prá frentex e aquilo estava ganho. O referendo não passou e eu arrependi-me desde então de não ter exercido o meu direito de voto. Felizmente, o referendo viria a passar uns anos depois e pude (finalmente) tirar esse peso da consciência.

São duas da manhã. Entre copos e outras coisas boas que esmiuçarei aqui a seu tempo, estou ao telefone e ao computador a ajudar os meus colegas de trabalho. Vou dormir uma miséria de horas. Mas vou acordar cedo para ir votar às 9 ou coisa assim, porque depois tenho que ir ter com bons amigos para uma lauta refeição e para aproveitar os últimos dias deste verão maravilhoso. Vai-me custar levantar cedo. Mas custar-me-ia mais ser surpreendido pela eleição de alguém que abomino e saber que não tinha votado contra isso. Que não tinha feito a minha parte. Que não tinha exercido o meu dever.

E é só isso. E agora vou ali dar umas cabeçadas à almofada.

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